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Slobodan Milo¹eviæ,
em sérvio
cirílico
Слободан
Милошевић, (Po¾arevac,
20
de agosto de 1941
— A Haia,
11
de março de 2006)
foi presidente da Sérvia
e da República
Federal da Iugoslávia.
Milo¹eviæ morreu
repentinamente enquanto enfrentava julgamento por uma série de crimes,
incluindo genocídio
cometido na Bósnia-Herzegovina,
na Croácia
e no Kosovo
durante os anos
90.
Um
simples burocrata
Slobodan Milo¹eviæ
nasceu numa família estável. Seu pai era teólogo
e, segundo algumas fontes, chegou a consagrar-se sacerdote da Igreja
Ortodoxa, sem haver chegado a exercer. Sua mãe era professora.
Em 1953
afiliou-se ao Partido
Comunista da Iugoslávia. Estudou Direito na Universidade de Belgrado,
formando-se em 1964
e iniciou sua atividade profissional na administração da República
Socialista da Sérvia, mais precisamente em Belgrado, como assessor do prefeito,
no início, e depois como chefe do serviço de informação do município.
Em 1965
casou-se com Mirjana
Markoviæ, que era professora de Teoria
Marxista na Universidade de Belgrado.
Em 1968
passou para o mundo empresarial, dentro da experiência iugoslava de
autogestão das empresas socialistas. Começou a trabalhar na
companhia energética estatal (Technogas), da qual foi nomeado (1973)
diretor geral. Dez anos depois de haver deixado a administração
municipal, em 1978,
ascendeu para a direção do maior banco iugoslavo - o Beogradska
Banka (Banco de Belgrado).
Atividade
política
Com a morte de Josip
Broz Tito em 1980,
Milo¹eviæ começou a entrar paulatinamente na política. Em 1983
foi eleito membro do "Presidium" do Comitê Central do Partido
Comunista da Sérvia e no ano seguinte fez-se Presidente do Comite
Municipal do partido, em Belgrado.
A 15
de maio de 1986
chega a Presidente do Comitê Central do Partido Comunista da Sérvia
e em 1989 foi
eleito Presidente da República Jugoslava da Sérvia. Esta rápida ascensão
que, em sete anos, levou-o de mero técnico da administração a
Presidente da Sérvia surpreendeu a todos. Milo¹eviæ possuía um perfil
de burocrata.
Este crescimento coincidiu
com uma radicalização do nacionalismo
que se engendrava na sociedade sérvia, no momento em que o comunismo soviético
perdia força. Sob seu governo teve início uma afirmação
institucional da identidade sérvia, em detrimento das demais populações
minoritárias.
Foi reeleito Presidente da
Sérvia pela maioria da população. Em outubro de 1995,
foi proibido de entrar nos Estados Unidos, na Conferência de Dayton,
para as negociações de paz com a Croácia
e a Bósnia-Herzegovna
- que pôs fim ao sonho de Milo¹eviæ em construir uma Grande Sérvia
com os territórios das nações da extinta Jugoslávia.
Genocídio
na Bósnia
Em abril de 1992
a Bósnia declarou sua independència, depois de um referendo que foi
boicotado pelos sérvios. Com o resultado, surgem episódios de violência
e Milo¹eviæ parte em defesa dos sérvios, minoritários na república
separatista.
A guerra civil dura mais
de três anos, tendo o exército de Milo¹eviæ praticado toda sorte
de atrocidades contra croatas e muçulmanos - naquele que foi o mais
sangrento conflito europeu pós-guerra.
Ódios seculares expostos,
coube a Milo¹eviæ e à Sérvia o papel de causadores do conflito.
Com isto, a nação é isolada da comunidade internacional.
A
Guerra do Kosovo
Terminado o conflito da Bósnia,
a maioria albanesa dos habitantes da província de Kosovo tenta a secessão.
Milo¹eviæ reage brutalmente, e o país é bombardeado por forças da OTAN
em 1998.
A infra-estrutura do país
é destruída, o Kosovo
passa a ser administrado pela ONU,
mas Milo¹eviæ tenta passar uma imagem de salvador da Sérvia.
O
fim
As eleições
municipais de 1996
foram denunciadas por alguns segmentos como fraudulentas, o que desencadeou
uma grande onda de protestos, com manifestações diárias em
Belgrado, durante o mês de dezembro até começo de 1997.
A crise aumenta, até
culminar com sua derrota nas eleições de 1999.
Milo¹eviæ recusa-se a aceitar o resultado das urnas, e o mesmo povo que
treze anos antes o levara ao poder exige sua deposição, em outubro
de 2000. Milo¹eviæ
passa para a clandestinidade.
Prisão
Em 2001
o Tribunal
Penal Internacional na Haia
solicitou a detenção de Milo¹eviæ ao governo formado depois do
golpe de estado do ano anterior, que levara ao poder Vojislav
Ko¹tunica, mesmo que a Iugoslávia ainda não houvesse
formalmente reconhecido a jurisdição deste tribunal.
A 28
de junho de 2001, Milo¹eviæ foi preso em seu país e transferido para
A Haia, sem que fosse sequer julgada sua extradição, como mandava a
legislação penal iugoslava. Em troca, o Presidente americano George
W. Bush libera verbas para a reconstrução do país.
Em Haia teve início o
processo criminal contra ele. Acusado por crimes de guerra, contra a
humanidade e genocídio,
cometidos durante a guerra civil da Iugoslávia.
Apareceu morto em sua
cela, na prisão do Tribunal
Internacional da Haia, na manhã de 11
de março de 2006,
antes de uma sentença. Segundo a autópsia, a causa da morte apontada foi
decorrente de problemas cardíacos - embora uma carta do prisioneiro,
às vésperas de sua morte, indicasse que estaria sendo "envenenado"
por medicações erradas.
Em 13
de março, médicos que atendiam Milo¹eviæ admitiram que os remédios
que este tomava poderiam ter provocado o infarto.
Milo¹eviæ foi enterrado
em sua terra natal, Po¾arevac,
em 18
de março de 2006.
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