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Vladímir Ilitch
Lenin (russo:
Владимир
Ильич Ленин),
nome original Vladímir Ilitch Uliânov (russo:
Владимир
Ильич
Ульянов) (10
de abril/22
de abril de 1870,
Simbirsk
hoje: Ulyanovsk
- 21
de janeiro de 1924,
Gorki próximo
de Moscou)
foi um revolucionário russo,
responsável em grande parte pela execução da Revolução
Russa de 1917,
líder do Partido Comunista,
e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União
Soviética. Influenciou teoricamente os partidos comunistas de todo o
mundo. Suas contribuições resultaram na criação de uma
corrente teórica denominada Leninismo.
De
boas famílias
Seu pai Ilia
Ulyanov foi um funcionário liberal, do tipo estritamente apolítico.
Era inspector das escolas da Província de Simbirsk,
e um homem judeu
extremamente religioso, que apoiava as reformas de Alexandre
II e que aconselhava a juventude a não cair no radicalismo.
Em vida de Lenin, esta
origem nobre foi largamente ignorada; foi somente quanto Stalin
desejou realizar uma mitologização de Lenin como um ente semidivino
e fonte da legitimidade do seu próprio poder, que os problemas começaram.
Segundo Orlando
Figes e outros, esta origem nobre foi uma fonte de embaraço para os biógrafos
stalinistas, que escolheram ressaltar, entre os antepassados de Lenin, seu
avô paterno, Nikolai
Ulyanov, filho de um servo, que trabalhou como alfaiate em Astrachan,
no Volga.
Apenas, Nikolai era em parte calmuco (e sua mulher Anna, completamente)
(Lenin tinha feições claramente típicas dos mongóis) e isso era
inconveniente para o nacionalismo grão-russo do regime stalinista.
Sob este ponto de vista, os antepassados de Lenin do lado materno eram
ainda mais embaraçosos. Maria
Alexandrovna, a mãe de Lenin, era a filha de Alexander
Blank, um judeu converso, que se fez médico e dono de terras em Kazan.
Ele era filho de Moiche
Blank, um comerciante judeu de Volhinia, que casou com uma sueca
chamada Anna
Ostedt. Os antepassados judeus de Lenin foram sempre silenciados pelo
regime stalinista; quando foi sugerido a Stalin, por Anna
Ulyanov em 1932
que tais fatos pudessem ser usados para combater o Anti-semitismo,
Stalin ordenou que "nenhuma palavra" fosse repetida sobre isso.
Juventude
de Lenin
De acordo com Orlando
Figes: "Ao contrário do mito soviético segundo o qual Lenin
ainda de fraldas já era um avultado teórico do marxismo,
o líder da revolução bolchevique
entrou relativamente tarde para a política. Com 16 anos de idade ele era
ainda religioso e não mostrava qualquer interesse na política. No
liceu em Simbirsk,
as suas principais cadeiras foram filologia
clássica e literatura".
Por ironia do destino, o
director do liceu de Simbirsk onde Lenin estudou foi Fiodor
Kerenski, pai do futuro rival de Lenin, e que escreveu em 1887 (último
ano de liceu de Lenin) um relatório exemplar sobre este jovem: "Religião
e disciplina foram a base da sua educação, cujos frutos se tornam
claros nas suas excelentes maneiras".
Ao terminar o liceu, nada
indicava que Lenin se viria a transformar num revolucionário. Orlando
Figes: "tudo indicava antes que ele iria seguir os passos do seu pai e
fazer uma excelente carreira na burocracia czarista".
E ainda Figes: "Na
sua juventude (Lenin) era orgulhoso de se poder designar como "filho
de um nobre". Uma vez descreveu-se mesmo na polícia como
"Vladimir Ulyanov, de nobre família". Após a morte de seu pai,
sua família vivia confortavelmente dos arrendamentos e das vendas dos
terrenos de sua mãe. No entanto, ele, como tantos outros jovens
promissores de classe média da época, acabaria por alienar-se do regime
czarista devido a severidade com que este agia para marginalizar elementos
tidos por politicamente suspeitos.
O
irmão de Lenin
O irmão mais velho
de Lenin, Alexandre
Ulyanov, ainda com 21 anos, um estudante em São Petersburgo,
envolveu-se no grupo terrorista Pervomartovtsi
e foi um dos cúmplices numa das muitas tentativas de assassinar o Czar Alexandre
III da Rússia. Foi condenado à morte em 1887. Isto teria
grandes consequências para o irmão, que se radicalizaria nos
anos seguintes.
Estudos
de direito em Kazan
Nesse ano de 1887, Lenin,
com 17 anos de idade, foi estudar direito
em Kazan.
Ali, logo tomou contacto com um outro grupo de revolucionários moldados no
Vontade
do povo. Ainda nesse ano, foi preso, juntamente com outros, numa
manifestação de estudantes movida por reivindicações de
cunho estritamente acadêmico . Como consequência, foi-lhe
proibida a continuação dos estudos. Em 1890 foi readmitido na
Universidade, porém apenas como estudante "externo" autorizado a
prestar exames anuais, mas não a freqüentar a universidade.
Doutrinação
Foi nestes anos que Lenin
se tornou um marxista. Sua primeira grande paixão revolucionária,
no entanto foi Tchernichevski
e em particular sua obra Que
fazer ?, que o "converteu" definitivamente ao ideal
revolucionário, anos antes de ter lido Marx.A
obra de Tchernichevsky falava da criação de um "novo homem"
russo através da auto-disciplina e da auto-estilização, capaz de
superar o que o senso comum da época considerava serem os traços comuns
da "alma" russa, a passividade, a melancolia e o alcoolismo. Em
Lenin, nos seus primeiros anos de marxista, existe uma convicção de
que o desenvolvimento capitalista da Rússia seria uma pré-condição
necessária do socialismo, na medida em que apenas a modernização
industrial da Rússia, o desenvolvimento da disciplina associada à
generalização do trabalho industrial assalariado, seriam capazes de
elevar a consciência política do povo russo a níveis tais que
tornassem possível a derrubada da autocracia tzarista e a constituição
de uma república democrática - contrariamente às teses dos
populistas, que consideravam que o socialismo russo se desenvolveria nos
quadros da comuna camponesa tradicional. Esta associação da
modernidade ao capitalismo industrial, no entanto, não era uma idéia
original de Lenin; já encontrava-se nas obras do fundador do marxismo
russo, Plekhanov,
ao qual ele se associaria no seu primeiro exílio, no início do século XX,
como redator do jornal da emigração marxista (social-democrata)
russa no exílio, o 'Iskra' (centelha).
A originalidade de Lenin
manifestar-se-ia na discussão sobre os estatutos do Partido Operário
Social Democrata Russo, em 1903,quando
do segundo congresso deste partido, no qual Lenin argumentou pela constituição
de um partido centralizado e dirigido por intelectuais com intensa formação
teórica marxista, em oposição à tese de um partido
organizacionalmente frouxo, que limitasse-se a enquadrar á atividade
sindical do movimento operário. Para Lenin, a mera agitação
sindical, desprovida de uma base doutrinária voltada para o socialismo,
acabava por reduzir-se a reivindicações parcelárias por maiores
salários e menos horas de trabalho, que aceitavam a exploraçao
capitalista enquanto tal, visando apenas minorá-la. Para que tal agitação
levasse à refundação socialista da sociedade burguesa, seria
necessário a existência de marcos teóricos claros, associados não
apenas aos interesses especficos da classe operária, mas de todas as questões
sociais, políticas, culturais, religiosas etc., referentes à situação
concreta da sociedade como um todo.Neste sentido, a consciência
socialista, que os sindicalistas supunham ser um traço ontológico da
classe operária, para Lenin só poderia chegar à mesma classe operária
'de fora' dela mesma, mediante o trabalho teórico e de agitação de
intelectuais de classe média.
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