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A biografia de Hoxha é
obscura, na medida em que foi submetida, desde muito cedo, a um processo de
mitificação e maquiagem, confundindo-se com a história da Albânia
socialista, da qual ele foi praticamente o único dirigente, durante
quarenta anos consecutivos. Tal como o líder comunista norte-coreano
Kim-Il-Sung
(que também dirigiu um regime stalinista mais fechado do que a própria União
Soviética de Stalin - na medida em que seu mando pessoal nunca esteve
sujeito a qualquer contestação) sua "vida particular", de
certa forma, fundiu-se com a História do seu próprio país.
Dirigiu a resistência
comunista durante a Segunda
Guerra Mundial contra a ocupação fascista italiana, permitindo
que o regime socialista se instalasse na Albânia do pós-guerra sem
intervenção soviética.Sustentou as pretensões territoriais
albanesas à região do Kosovo,
na Sérvia
iugoslava (a qual,paradoxalmente, havia sido anexada à Albânia
italiana quando do desmembramento da Iugoslávia por Hitler
em 1941) o que
o levou a um conflito com o regime socialista iugoslavo dirigido por Tito.
Isto fez com que, quando
da cisão entre a União
Soviética de Stalin e a Iugoslávia,
aliasse-se a Stalin
e estabelecesse um culto do stalinismo no seu país. Estabeleceu neste país
uma ditadura
pessoal fundada no culto à sua própria personalidade, como
instrumento de legitimação, aos moldes stalinistas,
e buscou uma recuperação econômica através da autarquia. Apoiado
em riquezas naturais, como carvão,
minério de ferro,
cromo, petróleo
e betume,
o regime de Hoxha empreendeu uma industrialização forçada. Com
ajuda soviética
e depois chinesa,
surgiram conglomerados de indústria pesada, maquinaria, produção têxtil,
etc.
Mas, novamente em paralelo
com a Iugoslávia
de Tito,
a partir dos anos
70, a Albânia não pôde mais se sustentar no mercado mundial.
Com a proibição de qualquer endividamento externo e com o rígido
isolamento, o regime buscou evitar uma crise
econômica. A Albânia transformou-se no último bastião do
stalinismo e num exótico país feérico da Europa,
onde até mesmo os automóveis particulares eram proibidos, os visitantes
estrangeiros do sexo masculino obrigados a raspar os cabelos no aeroporto,
e onde qualquer prática religiosa era proscrita. Alia-se à China
maoísta quando da cisão sino-soviética, para romper com ela 1978,quando
da revisão do legado maoísta por Deng
Xiaoping, ficando a Albânia em estado de isolamento total até 1985,
quando Hoxha morre.
Imediatamente, segue-se a
tentativa de integração subordinada ao mundo capitalista, com o
desmantelamento da economia nacional, a transformação da nomenklatura
do Partido do Trabalho (comunista) albanês numa Máfia subcapitalista,
o empobrecimento geral da população,a dissensão entre
esquemas regionais de poder, e a guerra civil no início do século
XXI. No ano de 2004
a Albânia ensaiava uma abertura econômica, mas não estava num estágio
de desenvolvimento que permitisse uma competitividade sequer razoável,
aumentando ainda mais a crise social. Hoje em dia, a Albânia ainda passa
pelo processo de transição econômica que as outras nações
de influência soviética passam, e sua economia ainda sofre os
efeitos da política econômica desastrosa, fruto do isolamento.
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