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Adolf Hitler (Braunau
am Inn, Áustria,
20
de abril de 1889
— Berlim,
30
de abril de 1945)
foi o líder do Partido
Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o NSDAP (Nationalsozialistische
Deutsche Arbeiterpartei - também conhecido por Nazi
por oposição aos sociais-democratas,
os Sozi),
chanceler
e, posteriormente, ditador
alemão.
Era filho de um funcionário de alfândega
de uma pequena cidade fronteiriça da Áustria
com a Alemanha.
As suas teses racistas e anti-semitas
e os seus objectivos para a Alemanha ficaram patentes no seu livro de 1924,
Mein
Kampf (Minha luta). No período da sua ditadura os judeus
e outros grupos minoritários considerados "indesejados", como ciganos,
negros, homossexuais,
deficientes
físicos e mentais, e Testemunhas
de Jeová, foram perseguidos e exterminados no que se convencionou
chamar de Holocausto.
Hitler seria derrotado apenas pela intervenção externa dos países
aliados no prosseguimento da Segunda
Guerra Mundial, que acarretou a morte de um total estimado em 60 milhões
de pessoas. Cometeu suicídio
no seu Quartel-General (o Führerbunker), em Berlim, a 30
de abril de 1945,
com o Exército Soviético a poucos quarteirões de distância.
Hitler era canhoto
(ou ambidestro
segundo algumas fontes), sofria de fotofobia,
era vegetariano
(segundo algumas fontes apenas na fase terminal da vida, por conselho médico),
abstémio
e falava um alemão
com sotaque típico dos subúrbios
de Viena (Wiener
Vorstadtdialekt).
Relata Wilhelm
Keitel, que Hitler não suportava que fumassem em sua presença,
tinha raiva de cavalos
e considerava a caça uma matança da fauna inocente. Embora reforce que
Hitler era abstêmio,
afirma que uma única vez o viu beber uma copo de cerveja,
no dia em que ele visitou Praga,
após sua conquista.
A despeito de toda a
maldade que manifestou, Hitler era uma pessoa polida e cordial no trato
particular, quase paternal, a confiar na narrativa de Traudl
Junge, sua secretária. Quando de suas visitas a Munique,
Hitler gostava de se reunir com seus camaradas no Restaurante
Osteria Bavária, na Shellingstrasse,
sempre pedindo um ravioli
e água mineral Fachinger
ou Apollinaris,
como sobremesa,
não dispensava uma torta
de maçã.A família de Hitler
Hitler guardou sempre
segredo sobre o período inicial da sua vida desde o nascimento até
à entrada na política, a seguir à Primeira
Guerra Mundial. "Vocês não podem saber de onde e de
que família eu venho" disse ele, em 1930,
a opositores políticos (citado por Christian
von Krockow). No verão de 1938,
pouco depois da anexação da Áustria,
Hitler ordenou a evacuação e destruição da aldeia de onde
provinham os seus pais e avós, para ali instalar um campo de treino
militar. Hitler envergonhava-se manifestamente das suas origens humildes e
cristãs. Parece não ter feito nada de relevante até ao
momento em que iniciou a sua vida militar. As suas declarações em
"Mein Kampf", sobre a sua infância, serviram sobretudo para
promoção pessoal e são, por isso, pouco confiáveis.
Infância
e juventude em Linz
Adolf Hitler nasceu a 20
de Abril de 1889
em Braunau-am-Inn,
uma pequena cidade perto de Linz,
na província da Alta-Áustria,
próximo da fronteira alemã, e que nesta época fazia parte da Áustria-Hungria.
O seu pai, Alois
Hitler (1837
- 1903), que
nascera como filho ilegítimo, era funcionário da alfândega. Até aos
seus 40 anos, o pai de Hitler, Alois, usou o sobrenome da sua mãe,
Schicklgruber. Em 1876,
passou a empregar o nome do seu pai adotivo, Johann Georg Hiedler, cujo
nome terá sido alterado para "Hitler" por erro de um escrivão,
depois de ter feito diligências junto de um sacerdote responsável
pelos registros de nascimento para que fosse declarada a paternidade, já
depois da morte do seu padrasto. Adolf Hitler chegou a ser acusado, depois,
por inimigos políticos de não ser um Hitler mas sim um
Schicklgruber. A própria propaganda dos aliados fez uso desta acusação
ao lançar vários panfletos sobre diversas cidades alemãs com a
frase "Heil Schicklgruber" - ainda que estivesse relacionado, de
fato, aos Hiedler por parte da sua mãe.
A mãe de Hitler, Klara
Hitler (o nome de solteira era Klara Polzl), era prima em segundo grau
do seu pai. Este trouxera-a para sua casa para tomar conta dos seus filhos,
enquanto a sua outra mulher, doente e prestes a morrer, era cuidada por
outra pessoa. Depois da morte desta, Alois casou-se, pela terceira vez, com
Klara, depois de ter esperado meses por uma permissão especial da
Igreja Católica que foi concedida exatamente quando Klara já se mostrava
visivelmente grávida. No total, Klara teve seis filhos de Alois. No
entanto, apenas Adolf, o segundo, e sua irmã mais nova, Paula,
sobreviveram à infância.
Adolf era um rapaz
inteligente mas mal humorado. Foi reprovado por duas vezes no exame de
admissão à escola secundária de Linz. Ali, começou a
acalentar idéias pangermânicas, fortalecidas pelas leituras que o seu
professor Leopold
Poetsch, um anti-semita
bastante admirado pelo jovem Hitler, lhe recomendou vivamente.
Hitler era devotado
à sua complacente mãe e, presumivelmente, não gostava
do pai, que apreciava a disciplina e o educava severamente, além de não
compartilharem muitas ideias políticas. Em "Mein
Kampf", Hitler é respeitoso para com a figura de seu pai, mas não
deixa de referir discussões irreconciliáveis que teve com ele
acerca da sua firme decisão em se tornar artista. De facto,
interessou-se por pintura e arquitectura. O pai opunha-se firmemente a tais
planos, preferindo que o filho fizesse carreira na função pública.
Em Janeiro
de 1903 morreu
Alois Hitler, vítima de alcoolismo,
numa taberna. Em Dezembro de 1907
morreu Klara, de cancro,
o que o terá afectado sensivelmente.
Viena
Com 19 anos de idade,
Adolf era órfão e em breve partiu para Viena,
onde tinha uma vaga esperança de se tornar um artista. Tinha, então,
direito a um subsídio para órfãos, que acabaria por perder aos 21
anos, em 1910.
Em 1907
fez exames de admissão à academia das artes de Viena, sem
êxito. Nos anos seguintes permaneceu em Viena sem um emprego fixo,
vivendo inicialmente do subsídio do apoio financeiro de sua tia Johanna Pölzl,
de quem recebeu herança. Chegou mesmo a pernoitar num asilo para mendigos
na zona de Meidling no outono de 1909.
Os outros mendigos deram-lhe a alcunha de "Ohm Krüger" (segundo
o historiador Sebastian
Haffner). Teve depois a ideia de copiar postais e pintar paisagens de
Viena - uma ocupação com a qual conseguiu financiar o aluguel de um
apartamento, na Meldemannstrasse. Pintava cenas copiadas de postais e
vendia-as a mercadores, simplesmente para ganhar dinheiro, não
considerando as suas pinturas uma forma de arte. Ao contrário do mito
popular, fez uma boa vida como pintor, ganhando mais dinheiro do que se
tivesse um emprego regular como empregado bancário ou professor do liceu,
e tendo de trabalhar menos horas. Durante o seu tempo livre ele frequentava
a ópera de Viena, especialmente para assistir a óperas relacionadas com a
mitologia nórdica, de Richard
Wagner, e cujas produções viria, mais tarde, a financiar, como
meio de exaltação do nacionalismo germânico. Muito de seu tempo
era dedicado à leitura.
Foi em Viena que Hitler se
começou a perfilar como um ativo anti-semita, particularidade que
governaria a sua vida e que foi a chave das suas ações subsequentes.
O anti-semitismo
estava profundamente enraizado na cultura católica do sul da Alemanha e na
Áustria, onde Hitler cresceu. Viena tinha uma larga comunidade judaica,
incluindo muitos Judeus Ortodoxos da Europa de Leste. Hitler tomou aí
contato com os judeus ortodoxos, que, ao contrário dos judeus de Linz,
distinguiam-se pelas suas vestes. Intrigado, procurou informar-se sobre os
judeus através da leitura, tendo comprado em Viena os primeiros panfletos
abertamente anti-semitas que leu na vida, como relata em Mein
Kampf.
Em Viena, o Anti-semitismo
tinha-se desenvolvido das suas origens religiosas numa doutrina política,
promovida por pessoas como Jörg
Lanz von Liebenfels, cujos panfletos foram lidos por Hitler; políticos
como Karl
Lueger, o presidente da câmara de Viena, e Georg
Ritter von Schönerer, fundador do partido Pan-Germânico. Deles,
Hitler adquiriu a crença na superioridade da "Raça Ariana" que
formava a base das suas visões políticas e na inimizade natural dos
judeus em relação aos "arianos", responsabilizando-os
pelos problemas económicos alemães.
Como Hitler relata em Mein
Kampf, foi também em Viena que tomou contato com a doutrina Marxista,
tendo "aprendido a lidar com a dialética deles", na discussão
com marxistas, "incorporando-a para os meus fins".
Munique,
a Primeira Guerra Mundial
Em Maio de 1913,
recebeu uma pequena herança do seu pai e mudou-se para Munique.
Como escreveria mais tarde em "Mein Kampf", sempre
desejara viver numa cidade alemã, talvez de acordo com o seu desejo
de se afastar do império multi-étnico Austro-Húngaro e viver num país
"racialmente" mais homogéneo. Em Munique interessou-se,
especialmente por arquitectura e pelos escritos de Houston Stewart
Chamberlain. Ao mudar-se, fugia, também, ao serviço militar no exército
Austro-Húngaro, que o capturou pouco depois e o submeteu a um exame físico
(pelo qual ficamos a saber que mediria 1,73 m). Foi considerado inapto para
o serviço militar e permitiram-lhe que regressasse a Munique, onde
prosseguiu a sua actividade de pintor, vendendo por vezes os seus quadros
pela rua..
Mas em Agosto de 1914,
quando a Alemanha entrou na Primeira
Guerra Mundial, alistou-se imediatamente no exército bávaro. Serviu
na França
e Bélgica
como mensageiro, uma posição muito perigosa, que envolvia exposição
a fogo inimigo, em vez da proteção proporcionada por uma trincheira.
A folha de serviço de Hitler foi exemplar mas nunca foi promovido além de
cabo, por razões que se desconhecem, o que seria considerado mais
uma humilhação na sua vida. O seu cargo, num lugar baixo da
hierarquia militar, reflectia a sua posição na sociedade quando
entrou para o exército. Não estava autorizado a comandar qualquer
agrupamento de soldados, por mais pequeno que fosse. Foi condecorado duas
vezes por coragem em acção. A primeira medalha que recebeu foi a Cruz
de Ferro de Segunda Classe em Dezembro
de 1914.
Depois, em Agosto de 1918,
recebeu a Cruz de Ferro de Primeira Classe, uma distinção raramente
atribuída a não oficiais, até porque Hitler não podia
ascender a uma graduação superior, já que não era cidadão
alemão. Em Outubro de 1916,
no norte de França, Hitler foi ferido numa perna, mas regressou à
frente em Março
de 1917.
Recebeu a Das
Verwundetenabzeichen (condecoração por ferimentos de
guerra) nesse mesmo ano, já que a ferida era resultado directo da exposição
ao fogo inimigo.
Durante a guerra, Hitler
desenvolveu um patriotismo
alemão apaixonado, apesar de não ser cidadão Alemão:
um detalhe que não rectificaria antes de 1932.
Ficou chocado pela capitulação da Alemanha
de Novembro
de 1918,
sustentando a idéia de que o exército alemão não tinha sido,
de facto, derrotado. Como muitos nacionalistas alemães, culpou os
políticos civis (os "criminosos de Novembro") pela capitulação.
Após a Primeira Guerra
Mundial, Hitler permaneceu no exército, agora activo na supressão
de revoltas socialistas que surgiam pela Alemanha, incluindo Munique, aonde
Hitler regressou em 1919.
Recebendo um salário
baixo, Hitler continuou ligado ao exército. Fez parte dos cursos de
"pensamento nacional" organizados pelos departamentos da Educação
e propaganda (Dept Ib/P) do grupo da Reichswehr da Baviera, Quartel-general
número 4 sob o comando do capitão Mayr. Um dos principais
objectivos deste grupo foi o de criar um bode expiatório para os
resultados da Guerra e a derrota da Alemanha. Este bode expiatório foi
encontrado no "judaísmo internacional", nos comunistas, e nos
políticos de todos os sectores.
Para Hitler, que tinha
vivido os horrores da guerra,
a questão da culpa era essencial. Já influenciado pela ideologia
anti-semita, acreditava avidamente na responsabilidade dos judeus,
tornando-se em breve num divulgador eficiente da propaganda concebida por
Mayr e seus superiores. Em Julho
de 1919,
Hitler, devido à sua inteligência e dotes oratórios, foi
nomeado líder e elemento de ligação (V-Mann) do "comando de
esclarecimento" com o objectivo de influenciar outros soldados com as
mesmas idéias.
Foi, então,
designado pelo quartel-general para se infiltrar num pequeno partido
nacionalista, o Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP). Hitler
aderiu ao partido recebendo o número de membro 555 (a numeração
começara em 500, por orientação de Hitler, para dar a impressão
de que o partido tinha uma dimensão maior do que a verdadeira,) em Setembro
de 1919. Foi
aqui que Hitler conheceu entre outros, Dietrich
Eckart, um anti-semita e um dos primeiros membros do partido. Tornou-se
rapidamente chefe do partido.
No mesmo mês (Setembro
de 1919), Hitler escreveu aquele que é geralmente tido como o seu primeiro
texto anti-semita, um "relatório sobre o Anti-Semitismo"
requerido por Mayr para Adolf Gemlich, que participara nos mesmos "cursos
educacionais" em que Hitler havia participado. Neste relatório ao seu
superior, Hitler fez a apologia de um "Anti-semitismo racional"
que não recorreria aos pogroms,
mas que "lutaria de forma legal para remover os privilégios
gozados pelos judeus em relação a outros estrangeiros vivendo entre
nós. O seu objectivo final, no entanto, deverá ser a remoção
irrevogável dos próprios judeus".
Certamente todos
compreenderam, na altura, que Hitler apelava à expulsão forçada.
Se o próprio Hitler assim o entendeu é menos claro, tendo em conta o
genocídio que Hitler ordenaria 22 anos depois.
Hitler não seria
liberado do exército antes de 1920. A partir dessa data, começou a
participar plenamente nas actividades do partido. Em breve se tornaria líder
do partido e mudou o seu nome para Nationalsozialistische Deutsche
Arbeiterpartei - NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães),
normalmente conhecido como partido Nazi, ou Nazista, que vem das palavras
"National Sozialistische", em contraste com os Sozi, um termo
usado para descrever os sociais democratas. O partido adoptou a suástica
(supostamente um símbolo do "Arianismo") e a saudação
romana, também usada pelos fascistas
italianos.
Serviu-se, depois, do
apoio da Sturmabteilung
(SA), uma milícia paramilitar de homens, identificados com camisas
castanhas, que vagueavam pelas ruas atacando esquerdistas e minorias
religiosas e gritando slogans de propaganda, que criou em 1921,
para criar um ambiente de apoio popular. Por volta de 1923 conheceu Julius
Streicher, o editor de um jornal violentamente anti-semita chamado Der
Stürmer, que apoiaria a sua propaganda de promoção pessoal e
de ódio anti-semita.
O partido Nazi era nesta
altura constituído por um pequeno número de extremistas de Munique. Mas
Hitler, em breve, descobriu que tinha dois talentos: o da oratória pública
e o de inspirar lealdade pessoal. A sua oratória de esquina, atacando os judeus,
os socialistas e os liberais, os capitalistas e os comunistas, começou a
atrair simpatizantes. Alguns dos seguidores desde o início foram Rudolf
Hess, Hermann
Göring, e Ernst
Röhm, o líder da SA. Outro admirador foi o Marechal de campo Erich
Ludendorff.
O
putsch da Cervejaria
O Putsch
da Cervejaria foi uma malfadada tentativa de golpe de Adolf
Hitler e seu Partido
Nazista contra o governo da região alemã
da Baviera,
ocorrida em 9
de novembro de 1923.
O objetivo do Führer era tomar as rédeas do governo bávaro para,
em seguida, tentar abocanhar o poder em todo o país. Mas a tresloucada ação
foi rapidamente controlada pela polícia bávara, sendo que Hitler e vários
correligionários – entre eles Rudolf Hess – acabaram presos.A
obra de Hitler: Mein Kampf
Hitler usou o seu
julgamento como uma oportunidade de espalhar a sua mensagem por toda a
Alemanha. Em Abril
de 1924 ele
foi condenado a 5 anos de prisão (acabaria por ser amnistiado
passados pouco mais de 6 meses) no estabelecimento prisional de Landsberg.
Ali, ele ditou um livro chamado "Mein Kampf" (Minha Luta) ao seu
fiel ajudante Rudolf
Hess. O livro foi escrito entre 1923 e 1924 na prisão e mais
tarde numa taverna.
Ler o Mein Kampf é como ouvir Hitler falar longamente sobre a sua
juventude, os primeiros dias do partido nazi, planos futuros para a
Alemanha e ideia sobre política e raça. O título originalmente escolhido
por Hitler era "Quatro anos e meio de luta contra mentiras, estupidez
e cobardice". O seu editor nazi aconselhou-o a encurtar para "Mein
Kampf", simplesmente a minha luta ou a minha batalha.
Na sua escrita, Hitler
anunciou o seu ódio contra aquilo que ele via como os dois males gémeos
do mundo: Comunismo
e Judaísmo,
e declarou que o seu objectivo era erradicar ambos da face da terra. Ele
anunciou que a Alemanha necessitava de obter novo terreno que chamou de
"Lebensraum" (espaço
vital) que iria nutrir apropriadamente o "destino histórico"
do povo Alemão; este objectivo explica porque Hitler invadiu a
Europa, a Leste e a Oeste, antes de lançar o ataque contra a Rússia.
Hitler apresentou-se em Mein Kampf como o "Übermensch", ou
"Sobrehomem", de que falava Friedrich
Nietzsche nos seus escritos, especialmente no seu livro, 'Assim falou
Zaratustra'. Uma vez que Hitler culpava o presente governo parlamentar por
muitos dos males pelos quais ele se encolerizava, ele anunciou que iria
destruir completamente esse tipo de governo. É em Mein Kampf que se pode
descobrir a verdadeira natureza do caracter de Hitler. Ele divide os
humanos com base em atributos físicos. Hitler afirma que os "arianos"
alemães de cabelo loiro e olhos azuis estavam no topo da hierarquia,
e confere o fundo da pirâmide aos judeus, polacos, russos, checos e
ciganos. Segundo ele, aqueles povos beneficiam pela aprendizagem com os
superiores arianos. Hitler também afirma que os judeus estão a
conspirar para evitar que a raça ariana se imponha ao Mundo como é seu
direito, ao diluir a sua pureza racial e cultural e ao convencer os Arianos
a acreditar na igualdade em vez da superioridade e inferioridade. Ele
descreve a luta pela dominação do mundo como uma batalha racial,
cultural e política em curso entre arianos e judeus. A suposta luta pela
dominação mundial entre estas duas etnias foi aceita pela população
quando Hitler chegou ao poder.
Ascensão
ao poder
Após sua prisão
devido ao comando do Putsch
da Cervejaria Hitler foi considerado relativamente inofensivo e
anistiado, sendo libertado da prisão em Dezembro
de 1924. Por
este tempo, o partido nazista mal existia e Hitler necessitaria de um
grande esforço para o reconstruir.
Nestes anos , ele fundou
um grupo que mais tarde se tornaria um dos seus instrumentos fundamentais
na persecução dos seus objectivos. Uma vez que o Sturmabteilung
("Tropas de choque" ou SA), de Röhm, não eram confiáveis,
e formavam uma base separada de poder dentro do partido, ele estabeleceu
uma guarda de sua defesa pessoal, a Schutzstaffel
("Unidade de Proteção" ou SS). Esta elite de tropas em
uniforme preto seria comandada por Heinrich
Himmler, que se tornaria no principal executor dos seus planos
relativamente à "Questão Judia" durante a Segunda
Guerra Mundial.
Criou também numerosas
organizações de filiação (Juventudes Hitleristas, associações
de mulheres, etc.). O Partido nazi
teve em 1929
uma progressão semelhante à do partido fascista
de Benito
Mussolini, beneficiando-se do mal-estar económico, político e social
decorrente da derrota de 1918 e, depois, da crise
de 1929.
Um elemento vital do apelo
de Hitler era o sentimento de orgulho nacional ofendido pelo Tratado
de Versalhes imposto ao Império Alemão pelos aliados. O Império
Alemão perdeu território para a França, Polónia, Bélgica e
Dinamarca e teve de admitir a responsabilidade única pela guerra, desistir
das suas colónias e da sua marinha e pagar uma grande soma em reparações
de guerra, um total de $6.600.000 (32 biliões de marcos). Uma vez
que a maioria dos alemães não acreditava que o Império Alemão
tivesse começado a guerra e não acreditava que havia sido derrotado,
eles ressentiam-se destes termos amargamente. Apesar das tentativas
iniciais do partido de ganhar votos culpabilizando o "judaísmo
internacional" por todas estas humilhações não terem
sido particularmente bem sucedidas com o eleitorado, a máquina do partido
aprendeu rapidamente e em breve criou propaganda mais subtil - que
combinava o Anti-semitismo
com um ardente ataque aos falhanços do "sistema Weimar" (a República
de Weimar) e os partidos que o suportavam. Esta estratégia começou a
dar resultados.
Uma propaganda demagógica,
que explorava habilmente essas frustrações e o sentimento
anti-semita generalizado da sociedade alemã da época, apresentando
os judeus como bode expiatório dos problemas sociais, permitiu aos
nazistas implantarem-se na classe média e entre os operários, ao mesmo
tempo em que o abandono do programa social inicial lhes trazia o apoio da
classe dirigente e dos meios industriais.
O ponto de viragem em
benefício de Hitler veio com a Grande Depressão que atingiu a
Alemanha em 1930.
O regime democrático estabelecido na Alemanha em 1919,
a chamada República
de Weimar, nunca tinha sido genuinamente aceita pelos conservadores e
tinha a oposição aberta dos fascistas.
Os sociais democratas e os
partidos tradicionais de centro e direita eram incapazes de lidar com o
choque da depressão e estavam envolvidos no sistema de Weimar. As
eleições de Setembro
de 1930 foram
uma vitória para o partido Nazi, que de repente se levantou da obscuridade
para ganhar mais de 18% dos votos e 107 lugares no "Reichstag"
(parlamento alemão), tornando-se o segundo maior partido. A sua
subida foi ajudada pelo império de mídia controlado por Alfred
Hugenberg, de direita.
Hitler ganhou sobretudo
votos entre a classe média alemã, que tinha sido atingida pela
inflação dos anos 20 e o desemprego oriundo da grande depressão.
Agricultores e veteranos de guerra foram outros grupos que apoiaram em
especial os nazistas. As classes trabalhadoras urbanas ignoraram geralmente
os apelos de Hitler, em especial nas cidades de Berlim e Bacia do Ruhr
(norte da Alemanha protestante) eram particularmente hostis.
A eleição de 1930
foi um desastre para o governo de centro-direita de Heinrich Brüning, que
estava agora impossibilitado de obter qualquer maioria no Reichstag, e teve
de contar com a tolerância dos sociais democratas (esquerda) e o uso de
poderes presidenciais de emergência para permanecer no poder. Com as
medidas de austeridade de Brüning mostrando pouco sucesso face aos efeitos
da depressão, o governo teve receio das eleições
presidenciais de 1932 e procurou obter o apoio dos nazis para a extensão
do termo presidencial de Paul
von Hindenburg, mas Hitler recusou qualquer acordo, e acabou por
competir com Hindenburg na eleição presidencial, obtendo o segundo
lugar na primeira e segunda fases da eleição, e obtendo mais de 35%
dos votos na segunda fase, em Abril, apesar das tentativas do ministro do
interior Wilhelm Gröner e do governo social-democrata prussiano para
restringir as atividades públicas nazistas, incluindo notoriamente a
proibição das SA.
Os embaraços da eleição
puseram fim à tolerância de Hindenburg para com Brüning, e o velho
Marechal de Campo demitiu o governo, nomeando um novo governo sob o comando
do reacionário Franz
von Papen, que imediatamente revogou a proibição das SA e
convocou novas eleições do Reichstag.
Nas eleições de Julho
de 1932, os
nazistas tiveram o seu melhor resultado até então, obtendo 230
lugares no Parlamento e tornando-se o maior partido alemão. Uma vez
que nazistas e comunistas detinham a maioria do Reichstag, a formação
de um governo estável de partidos do centro era impossível e no
seguimento do voto de desconfiança no governo Papen, apoiado por 84% dos
deputados, o parlamento recém-eleito foi dissolvido e foram convocadas
novas eleições.
Papen e o Partido do
Centro tentaram agora abrir negociações assegurando a participação
no governo, mas Hitler fez grandes exigências, incluindo o posto de
Chanceler e o acordo do presidente para poder usar poderes de emergência
de acordo com o artigo 48 da Constituição de Weimar.
Este falhanço em formar um governo, juntamente com os esforços dos Nazis
de ganhar o apoio da classe trabalhadora, alienaram parte do apoio de prévios
votantes, de modo que nas eleições de Novembro
de 1931, o
partido nazista perdeu votos, apesar de se manter como o maior partido do Reichstag.
Uma vez que Papen falhara
na sua tentativa de assegurar uma maioria através da negociação e
trazer os nazistas para o governo, Hindenburg demitiu-o e nomeou para o seu
lugar o General Kurt von Schleicher, desde há muito uma figura influente e
que recentemente ocupava o cargo de Ministro da Defesa, que prometeu
assegurar um governo maioritário com negociações quer com os
sindicatos sociais democratas quer com os dissidentes da facção
nazi liderada por Gregor Strasser.
Enquanto Schleicher
procurava realizar a sua difícil missão, Papen e Alfred Hugenberg,
que era também presidente do partido nacional do povo alemão (DNVP),
o maior partido de direita da Alemanha antes da ascensão de Hitler,
conspiravam agora para convencer Hindenburg a nomear Hitler Chanceler numa
coligação com o DNVP, prometendo que eles o iriam controlar. Quando
Schleicher foi forçado a admitir o falhanço dos seus esforços, e pediu a
Hindenburg para dissolver novamente o Reichstag, Hindenburg demitiu-o e
colocou o plano de Papen em execução, nomeando Hitler Chanceler com
Papen como Vice-Chanceler e Hugenberg como Ministro das Finanças, num
gabinete que ainda só incluía três Nazis - Hitler, Göring e
Wilhelm Frick. A 30
de Janeiro de 1933,
Adolf Hitler prestou juramento oficial como Chanceler na Câmara do
Reichstag, perante o aplauso de milhares de simpatizantes nazistas.
Mas Hitler ainda não
tinha cativado definitivamente a nação. Ele foi feito Chanceler
numa designação legal pelo presidente Hindenburg, o que foi uma
ironia da história, uma vez que os partidos do centro tinham apoiado o
presidente Hindenburg por ele ser a única alternativa viável a Hitler, não
prevendo que seria Hindenburg que iria trazer o fim da República.
Mas nem o próprio Hitler
nem o seu partido obtiveram alguma vez uma maioria absoluta. Nas últimas
eleições livres, os nazis obtiveram 33% dos votos, ganhando 196
lugares em 584. Mesmo nas eleições de Março de 1933, que tiveram
lugar após o terror e violência terem varrido o Estado, os nazis
obtiveram 44% dos votos. O partido obteve o controle de uma maioria de
lugares no Reichstag através de uma coligação formal com o DNVP.
No fim, os votos adicionais necessários para propugnar a lei de aprovação
do governo, que deu a Hitler a autoridade ditatorial, foram assegurados
pelos nazistas pela expulsão de deputados comunistas e intimidando
ministros dos partidos do centro. Numa série de decretos que se seguiram
pouco depois, outros partidos foram suprimidos e toda a oposição
foi proibida. Em poucos meses, Hitler tinha adquirido o controle autoritário
do país e enterrou definitivamente os últimos vestígios de democracia.
Regime
Nazi
Após ter assegurado o
poder político sem ter ganho o apoio da maioria dos Alemães, Hitler
tratou de o conseguir, e na verdade, Hitler permaneceu fortemente popular
até ao fim do seu regime. Com a sua oratória e com todos os meios de
comunicação alemães sob o controlo do seu chefe de
propaganda, o Dr.
Joseph Goebbels, ele conseguiu convencer a maioria dos Alemães
de que ele era o salvador da Depressão, dos Comunistas, do tratado
de Versalhes, e dos judeus.
Para todos aqueles que não
ficaram convencidos, as SA,
a SS e Gestapo
(Polícia secreta do Estado) tinham mãos livres, e milhares
desapareceram em campos de concentração como o Campo
de Concentração de Dachau, perto de Munique, criado em 1933,
o primeiro de todos e um modelo para os demais. Muitos milhares de pessoas
emigraram, incluindo cerca da metade dos Judeus, que fugiram sobretudo para
a Inglaterra, Israel (na época chamada de Palestina, sob domínio Inglês)
e EUA.
Na noite de 29 para 30
de Junho de 1934,
a chamada "Noite das facas longas", Hitler autorizou a acção
contra Röhm, o líder das SA, que acabaria por ser assassinado. Himmler
tinha conspirado contra Röhm, apresentando a Hitler "provas"
manipuladas de que Röhm planeava o assassínio de Hitler.
A 2
de Agosto de 1934,
Hindenburg morre. Hitler apodera-se do seu lugar, fundindo as funções
de Presidente e de Chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer)
da Alemanha e requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças
armadas. Esta fusão dos cargos, aprovada pelo parlamento poucas
horas depois da morte de Hindenburg, foi mais tarde confirmada pela maioria
de 89.9% do eleitorado no plebiscito de 19
de Agosto de 1934.
Os judeus que até então
não tinham emigrado iriam em breve se arrepender da sua hesitação.
Com as Leis de Nuremberga de 1935, eles perderam o seu estatuto de cidadãos
alemães e foram banidos de quaisquer lugares na função pública,
de exercer profissões ou de tomar parte na actividade económica.
Foram acrescidamente sujeitos a uma nova e violenta onda de propaganda
difamatória. Poucos não-judeus alemães objectaram estas
medidas. As Igrejas Cristãs, elas próprias impregnadas de séculos
de Anti-semitismo, permaneceram silenciosas. Estas restrições foram
mais tarde apertadas mais estrictamente, particularmente após a operação
anti-semita de 1938 conhecida como Kristallnacht
(Noite dos Cristais).
A partir de 1941, os
Judeus foram obrigados a usar a estrela amarela em público. Entre Novembro
de 1938 e Setembro
de 1939, mais
de 180.000 judeus fugiram da Alemanha; os Nazis confiscaram toda a
propriedade que ficara para trás.
Economia
Nesta altura, sob o
controle ditatorial, Hitler deu início a grandes mudanças econômicas. Há
uma certa controvérsia sobre os aspectos econômicos do governo
de Hitler, pois nem todas as suas medidas foram saudáveis a médio e longo
prazo. As políticas econômicas do governo de Bruning, cautelosas e
fiscalistas, vinham sanando as finanças
e organizando o Estado
alemão nesse aspecto. Hitler, ao contrário, pôs em prática um
largo programa de intervencionismo econômico, baseado no keynesianismo,
embora se distanciasse deste em muitos pontos.
O desemprego
na Alemanha
de 1933 era de
aproximadamente 6 milhões. Esse número diminuiu para 300.000 em 1939.
Essa diminuição fabulosa, no entanto, ocorreu por diversos motivos,
como alterações estatísticas e projetos governamentais:
-
-
As mulheres
deixaram de ser contadas como desempregadas a partir de 1933
-
Judeus, a partir de
1935,
perderam a condição de cidadãos do Reich, não
contando mais como desempregados
-
Mulheres jovens que
se casavam eram excluídas dos cálculos.
-
Ao desempregado
eram dadas duas opções: ou trabalhar para o governo sob baixíssimos
salários ou permanecer segregado da esfera governamental, longe de
todas as suas obrigações, mas também vantagens, como saúde,
lazer, etc.
-
As convocações
para o exército começaram a se acelerar. Até 1939, 1,4 milhões
de alemães haviam sido convocados. Para armar esse contigente,
a produção industrial aumentou e a procura por mão-de-obra
aumentou também.
-
Criação da
Frente Alemã de Trabalho, dirigida por Robert
Ley, que pôs em prática programas governamentais de trabalho
que absorveram boa parte da mão-de-obra
disponível, ora empregando-a no melhoramento da infra-estrutura
do país, ora nas indústrias e na produção bélica.
Essas medidas ocorreram
à custa de pesadíssimos investimentos por parte do Estado,
comprometendo a longo prazo as finanças. O que se viu, em conseqüência
disso, foi um déficit
crescente. De 1928
até 1939, a arrecadação do Estado havia subido de 10 bilhões
de Reichsmarks
para 15 bilhões, no entando os gastos, no mesmo período, subiram de
12 bilhões de Reichsmarks para 30 bilhões. Em 1939,
o déficit acumulado era de 40 bilhões de Reichsmarks.
A inflação,
nesse periodo, cresceu tanto que em 1936
foi decretado o congelamento de preços. O governo alemão foi
incapaz de lidar com o controle de preços e sua interferência
constante apenas engessou a economia e dificultou o aumento gradual e
equilibrado da produção. A partir de 1936, o dirigismo econômico
passou, gradualmente, a substituir a adaptação automática da produção
pelo mercado, de maneira que a regulamentação econômica passou a
ser maior.
Deve-se entender, é claro,
que para Hitler, que era completamente ignorante em Teoria Econômica,
assunto este que o entediava profundamente, política fiscal e monetária só
faziam sentido em função das necessidades de rearmamento da
Alemanha e como parte de um projeto político que, a médio prazo, previa
nada menos do que a hegemonia alemã na Europa continental e a
colonização da Rússia, através de mecanismos de espoliação
que garantiriam à Alemanha o acesso a matérias-primas a preço vil
e mão-de-obra escrava.
Política
Em Março
de 1935 Hitler
repudiou abertamente o Tratado de Versalhes ao reintroduzir o serviço
militar obrigatório na Alemanha. O seu objectivo seria construir uma
enorme maquinaria militar, incluindo uma nova marinha e força aérea (a
Luftwaffe). Esta última seria colocada sob o comando de Göring, um
comandante veterano da Primeira
Guerra Mundial. O alistamento em grandes números pareceu resolver o
problema do desemprego mas também distorceu a economia.
É por esta altura, em 1936
que, nas Olímpiadas de Berlim, um afro-americano (Jesse
Owens) venceu em várias modalidades, o que contradizia na prática a
propaganda à raça Ariana preconizada por Hitler para estes jogos. (Ver
também História
política dos Jogos Olímpicos de 1936).
Em Março de 1936
ele volta a violar o Tratado de Versalhes ao reocupar a zona
desmilitarizada na Renânia (zona do Rio Reno). Ingleses e Franceses não
fizeram nada, o que o encorajou. Em Julho
de 1936, a Guerra
Civil Espanhola começou, com a rebelião dos militares,
liderados pelo General Francisco
Franco, contra o governo democraticamente eleito da Frente Popular. Uma
rebelião que contou com o apoio do Vaticano.
Hitler enviou tropas em apoio de Franco. A Espanha tornou-se também num
campo de teste para as novas tecnologias e métodos militares desenvolvidos
na Alemanha. Em Abril
de 1937, os
aviões alemães da Legião
Condor bombardeiam e destroem pela primeira vez na história uma cidade
a partir do ar. Foi a cidade de Guernica,
na província espanhola do País Basco. Em 1936,
realizaram-se os Jogos Olímpicos em Berlim.
A 25
de Outubro de 1936, Hitler assinou uma aliança com o ditador italiano fascista
Benito
Mussolini, o malfadado eixo Roma-Berlim. Esta aliança seria mais tarde
expandida para incluir
também o Japão, Hungria, Roménia e Bulgária, bloco que se tornou
conhecido como as potências do eixo.
A 5
de Novembro de 1937,
na Chancelaria do Reich, Adolf Hitler presidiu a um encontro secreto onde
discutiu os seus planos para adquirir o "espaço vital" ao povo
alemão.
A 12 de Março de 1938,
Hitler pressionou a sua Áustria nativa à unificação com a
Alemanha (o chamado "Anschluss").
Suas tropas entraram na Áustria e Hitler fez um discurso triunfal em Viena
na "Heldenplatz" (Praça dos Heróis) onde foi saudado
efusivamente por uma multidão de Austríacos simpatizantes, muitos
deles fazendo a saudação romana adotada pelos nazistas.
O próximo passo seria a
intensificação da crise com a zona dos Sudetas,
de língua alemã, situada na Checoslováquia.
Isto levou ao acordo
de Munique de Setembro
de 1938 onde a
Inglaterra (Chamberlain assinou o pacto, propondo ainda uma política de
contenção) e a França de forma fraca deram vazão às
exigências de Hitler, procurando evitar a Guerra com Hitler, mas
entregando-lhe a Checoslováquia.
No seguimento do acordo
de Munique, Hitler foi designado como Homem do Ano de 1938. Foi também
alegado que a autora de origem judaica Gertrude
Stein defendeu nesse ano a entrega do Prémio Nobel da Paz a Hitler. A 10
de Março de 1939,
Hitler ordenou a entrada do exército alemão em Praga.
Nesta altura, os ingleses
e franceses perceberam finalmente que deveriam resistir. Resistiram
às próximas exigências de Hitler, que diziam agora respeito
à Polónia.
Hitler pretendia o regresso dos territórios cedidos à Polónia pelo
Tratado de Versalhes.
As potências
ocidentais não aceitaram as exigências de Hitler mas não
conseguiram chegar a um acordo com a União
Soviética para uma aliança contra a Alemanha e Hitler manobrou para
uma posição de força. A 23
de Agosto de 1939,
Hitler concluiu uma aliança (o pacto
Molotov-Ribbentrop) com Stalin.
A primeiro de Setembro
de 1939, a
Alemanha invade a Polónia. A Inglaterra e a França reagem desta vez,
declarando a Guerra à Alemanha. A Segunda
Guerra Mundial estava começando.
Segunda
Guerra Mundial
Nos três anos
seguintes, Hitler conheceria uma série quase inabalada de sucessos
militares. A Polônia foi rapidamente derrotada e dividida com os soviéticos.
Em Abril de 1940,
a Alemanha invadiu a Dinamarca
e a Noruega.
Em maio, a Alemanha iniciou uma ofensiva relâmpago, conhecida por
"Blitzkrieg", que rapidamente ocupou a Holanda,
Bélgica,
Luxemburgo
e França,
(esta última capitulou em seis semanas). Nesta altura, Aristides
Sousa Mendes era o cônsul de Portugal em Bordéus
e salvou a vida a dezenas de milhares de refugiados, muitos dos quais
judeus e que assim se salvaram do Holocausto.
Contra as instruções expressas de Salazar,
Aristides concedeu vistos de entrada para Portugal aos refugiados que o
procuravam.
Em Abril
de 1941, a Iugoslávia
e a Grécia
foram invadidas por exércitos alemães. Forças ítalo-alemãs
avançavam também pelo norte de África em direcção ao Egipto.
Estas invasões
foram acompanhadas do bombardeamento de cidades indefesas tais como Varsóvia,
Roterdão e Belgrado.
A única derrota de Hitler
nesta fase foi o fracasso do seu plano de bombardear e posteriormente
invadir a Inglaterra. A Força Aérea Inglesa (RAF) acabaria por vencer no
ar a Batalha
da Inglaterra. A incapacidade de adquirir superioridade nos céus britânicos
significou que a "Operação Leão Marinho", o plano
de invadir a Grã-Bretanha, foi cancelada.
A 22
de Junho de 1941
foi desencadeada a Operação
Barbarossa. As forças de Hitler invadiram a União Soviética,
rapidamente se apoderando da terça-parte da Rússia Européia, cercando Leningrado
e ameaçando Moscovo.
No inverno, os exércitos alemães foram detidos às portas de
Moscovo com o rompimento da frente pelos russos, mas no verão
seguinte, a ofensiva continuou. Em Julho
de 1942, os exércitos
de Hitler chegavam ao Volga.
Aqui, eles foram derrotados em 2
de fevereiro de 1943
na Batalha
de Stalinegrado, a primeira grande derrota alemã na Guerra e que
se tornaria o marco decisivo do início da derrota do III Reich.
No norte de África, os
ingleses derrotaram os alemães na batalha
de El Alamein, destroçando o plano de Hitler de se apoderar do Canal
do Suez e do Médio
Oriente.
A
derrota
A partir de 1943, no
entanto, a queda alemã tornou-se inexorável e o atentado de Julho
de 1944 contra
Hitler revelou a força da oposição interna. Após uma última
derrota (ofensiva das Ardenas, em Dezembro
de 1944),
Hitler refugiou-se em um bunker na cidade de Berlim,
onde mais tarde cometeria suicídio em 30
de abril de 1945.
Uma maioria esmagadora dos
relatos históricos sustenta a tese do suicídio de Hitler. No entanto,
existem rumores na América Latina segundo os quais Hitler teria fugido
para um país da América
do Sul onde teria morrido com uma doença incurável, tendo sido um sósia
a morrer no bunker em Berlim.
O mesmo teria acontecido com Eva
Braun, sua noiva, com quem teria se casado pouco antes do suicídio,
segundo alguns historiadores, Braun teria se casado com ele somente depois
de jurar "fidelidade" e prometer que se mataria junto com ele.
Seus corpos não foram encontrados, ele teria mandado sua guarda cremá-los,
talvez para que não houvesse nenhum modo de o inimigo torturá-lo,
nem após sua morte.
Uma segunda corrente de
historiadores, no entanto, acredita que o fim da vida de Adolf Hitler teria
ocorrido com a destruição de seu bunker em Berlim, por um grande
ataque aéreo dos aliados já no fim da grande guerra. Acreditam ainda que
com este ataque em seu bunker o corpo de Eva Braun do seu braço direito
Heinrich Himmler também foram achados claro que em melhores condições
que o do próprio Hitler, tinham em seu corpo queimaduras e marcas das
ferragens, já o de Adolf estava carbonizado sendo reconhecido apenas pela
sua vestimenta e seu bigode, sendo o reconhecimento feito por seus próprios
comandantes e soldados capturados. Pelo fato dos corpos terem sido
encontrados carbonizados os aliados teriam vinculado a notícia de que seus
corpos não foram encontrados, mas sabe-se através de relatos, que não
fora a ordem de Adolf para cremar seus corpos o real motivo para os mesmos
terem sido localizados desta forma e sim o da explosão de uma bomba
que destruiria o bunker onde ele e seus fiéis escudeiros se encontravam.
Sim, após autópsias feitas nos corpos encontrados no bunker em Berlim,
constatou-se que em um dos corpos havia uma bala da pistola que era
utilizada pelos alemães uma LUGER, onde boatos dizem que era a arma
do qual Adolf havia se matado antes da bomba cair em seu bunker ou um dos
seus escudeiros havia disparado contra o grande ditador para que o mesmo não
fosse capturado pelos aliados vivo.
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